quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

TIPOS DE VÍRUS QUANTO A PRESENÇA DE ENVELOPE

 CLASSIFICAÇÃO DOS VÍRUS QUANTO A PRESENÇA 
(OU NÃO) DO ENVELOPE


Os vírus podem ser divididos em dois grandes grupos quanto a presença ou não do envelope:  

VÍRUS NÃO ENVELOPADOS 
Vírus sem envelope; estes vírus apresentam apenas capsídio e o genoma (RNA ou DNA)

VÍRUS ENVELOPADOS
Vírus que apresentam envelope.

O envelope, como já vimos em aula, é uma estrutura constituída por uma camada biomolecular lipídica.  Portanto é a membrana plasmática da célula hospedeira que está sendo infectada pelo vírus mais as proteínas virais específicas (proteínas ligantes), codificadas pelo genoma viral e que são importantes no reconhecimento da célula hospedeira e na ligação do vírus à essa célula específica. 

 


 Vírus e sua propagação 

 Fonte: Modificado de Google images

VÍRUS DA FEBRE AMARELA SILVESTRE (FAS) 

Febre Amarela - CID10: A-95

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição - Doença febril aguda, de curta duração (no Maximo 12 dias) e de gravidade variável. Apresenta-se como infecções subclínicas e/ou leves, ate formas graves, fatais. O quadro típico tem evolução bifásica (período de infecção e de intoxicação), com inicio abrupto, febre alta e pulso lento em relação a temperatura (sinal de Faget), calafrios, cefaléia intensa, mialgias, prostração, náuseas e vômitos, durando cerca de 3 dias, após os quais se observa remissão da febre e melhora dos sintomas, que pode durar algumas horas ou, no máximo, dois dias. O caso pode evoluir para cura ou para a forma grave (período de intoxicação), que se caracteriza pelo aumento da febre, diarreia e reaparecimento de vômitos com aspecto de borra de café, instalação de insuficiência hepática e renal. Surgem também icterícia, manifestações hemorrágicas (hematemase (vômito com sangue), melena (Fezes pastosas de cor escura e cheiro fétido, sinal de hemorragia digestiva alta. A cor escura se refere às modificações bioquímicas sofridas pelo sangue na luz intestinal colonizada por bactérias. Somente o sangue que se origina de fonte superior (como intestino delgado), ou sangramento de fonte inferior que ocorre lento o suficiente para permitir oxidação, são associados com Melena. Por essa razão, Melena é frequentemente associada com sangue no estômago ou duodeno (trato gastrointestinal superior), por exemplo úlcera péptica. Na Melena o sangue, que parece oculto, é indicado pela cor negra das fezes, enquanto que na hematoquesia pode haver sangue vivo aparente), epistaxe (sangramento ou hemorragia nasal), sangramento vestibular e da cavidade oral, entre outras), oliguria (diminuição ou ausência de produção de urina), hematuria (presença de sangue na urina), albuminuria e prostração intensa, alem de comprometimento do sensório, com obnubilação mental e torpor com evolução para coma. Epidemiologicamente, a doença pode se apresentar sob duas formas distintas: febre amarela urbana (FAU) e febre amarela silvestre (FAS), diferenciando-se uma da outra apenas pela localização geográfica, espécie vetorial e tipo de hospedeiro.

Agente etiológico -
Virus amarilico, arbovirus do gênero Flavivirus e família Flaviviridae. E um RNA virus.

Vetores/reservatórios e hospedeiros 
O principal vetor e reservatório da FAS no Brasil e o mosquito do gênero Haemagogus janthinomys. Os hospedeiros naturais são os primatas não humanos (macacos). O homem não imunizado entra nesse ciclo acidentalmente. Na FAU, o mosquito Aedes aegypti e o principal vetor e reservatório e o homem, o único hospedeiro de importância epidemiológica.

Modo de transmissão 
Na FAS o ciclo de transmissão se processa entre o macaco infectado --> mosquito silvestre --> macaco sadio. 

Na FAU a transmissão se faz através da picada do mosquito Aedes aegypti, no ciclo: homem infectado --> Aedes aegypti --> homem sadio.
Período de incubação – Varia de 3 a 6 dias, apos a picada do mosquito infectado
Período de transmissibilidade - O sangue dos doentes é infectante 24 a 48 horas antes do aparecimento dos sintomas até 3 a 5 dias após, tempo que corresponde ao período de viremia. No mosquito Aedes aegypti, o período de incubação é de 9 a dias, após o que se mantém infectado por toda a vida.

Diagnóstico - É clínico, epidemiológico e laboratorial.

Diagnóstico Laboratorial
a) Específico
O Isolamento viral é realizado a partir de amostras de sangue, derivados ou tecidos coletados nos primeiros 5 dias após o início da febre. Reação em cadeia de polimerase (PCR); Imunofluorescência e Imunohistoquímica. Sorologia: Ensaio imunoenzimático para captura de anticorpos IgM (Mac-Elisa); Na maioria dos casos requer somente uma amostra de soro sendo possível realizar o diagnóstico presuntivo de infecção recente ou ativa. Outras técnicas são utilizadas no diagnóstico sorológico, porém requerem sorologia com amostras pareadas tais como Inibição de Hemaglutinação (IH); Teste de Neutralização (N) e Fixação de Complemento(FC), considerando-se positivos os resultados que apresentam aumento dos títulos de anticorpos de, no mínimo, 4 vezes, entre a amostra colhida no início da fase aguda comparada com a da convalescença da enfermidade (intervalo entre as colheitas de 14 a 21 dias).
b) Inespecíficos  
As formas leves e moderadas apresentam quadro clínico autolimitado, não há alterações laboratoriais importantes, salvo por leucopenia, discreta elevação das transaminases (nunca superior a duas vezes os valores normais encontrados) com discreta albuminúria caracterizada por encontro de cilindros hialinos no sedimento urinário. Nas formas graves clássicas ou fulminantes podem ser encontradas as seguintes alterações: leucopenia com neutrofilia e intenso desvio à esquerda. Em pacientes com infecção secundária pode-se observar leucocitose com neutrofilia. Trombocitopenia (sendo comum valores de 50.000 plaquetas/cm³ ou valores menores) aumento dos tempos de protrombina, tromboplastina parcial e coagulação. Diminuição dos fatores de coagulação sintetizados pelo fígado (II,V,VII,IX E X). Aumento de: Transaminases (em geral acima de 1.000 UI); bilirrubinas (com predomínio da bilirrubina direta); colesterol; fosfatase alcalina; Gama-GT; uréia e creatinina, estas com valores (5 a 6 vezes ou até mais altos que os valores normais). Observe-se que a confiabilidade dos resultados dos testes laboratoriais dependem dos cuidados durante a coleta, manuseio, acondicionamento e transporte das amostras.

Diagnóstico diferencial  
As formas leves e moderadas se confundem com outras viroses, por isso são de difícil diagnóstico, necessitando-se da história epidemiológica. As formas graves clássicas ou fulminantes devem ser diferenciadas das hepatites graves fulminantes, leptospirose, malária por Plasmodium falciparum, febre hemorrágica do dengue e septicemias.
Tratamento - Não existe tratamento antiviral específico. É apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Os quadros clássicos e/ou fulminantes, exigem atendimento em Unidade de Terapia Intensiva, o que reduz as complicações e a letalidade.

Características epidemiológicas  
A FAU não ocorre nas Américas desde 1954, sendo considerada erradicada dos centros urbanos. Com a reinfestação dos países americanos, inclusive o Brasil, com o Aedes aegypti, existe o risco da doença se reurbanizar, com repercussões sociais e econômicas imprevisíveis. No Brasil, anualmente ocorrem casos da FAS nas regiões Norte e Centro-Oeste, em áreas de mata onde existe a circulação do vírus amarílico. Embora o número de casos seja relativamente pequeno (máximo de 85 casos por ano, nos últimos quinze anos) a letalidade da doença é alta, variando entre 23 a 100% dependendo das intervenções feitas, como no caso de uma vigilância ativa. No Brasil estão definidas quatro áreas epidemiologicamente distintas: endêmica ou enzoótica (regiões Norte, Centro Oeste e estado do Maranhão), onde o vírus se propaga continuamente através de grupos de macacos, propiciando o surgimento de casos em humanos; epizoótica ou de transição, onde ocasionalmente ocorrem epizootias de macacos, geralmente seguidas de casos humanos: abrange uma faixa que vai da região centro-sul do Piauí, oeste da Bahia, noroeste de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; área indene, que corresponde à área onde não há evidências da circulação do vírus amarílico e abrange os estados da região nordeste, sudeste e sul; e área indene de risco potencial : zonas de maior risco para circulação viral, contíguas e com ecossistemas semelhantes à área de transição, compreendendo os municípios do sul de Minas Gerais e da Bahia e a região centro-norte do Espírito Santo.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos 
Reduzir a incidência de febre amarela de transmissão silvestre, impedir a transmissão urbana e detectar oportunamente a circulação viral para orientar as medidas de controle.
Notificação - Doença de notificação compulsória internacional, objeto de vigilância pela Organização Mundial da Saúde, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, o que impõe a investigação epidemiológica de todos os casos.

Definição de caso
a) Caso suspeito 1 - Indivíduo com quadro febril agudo (até 7 dias), acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado;
b) Caso suspeito 2 - Indivíduo com quadro febril agudo (até 7 dias), residente ou que esteve em área com transmissão viral (ocorrência de casos humanos, epizootias ou de isolamento viral em mosquitos) nos últimos 15 dias, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado;
c) Caso confirmado - Todo caso suspeito que apresente pelo menos uma das seguintes condições: isolamento do vírus, MAC-ELISA positivo, laudo histopatológico compatível e com vínculo epidemiológico, elevação em quatro vezes ou mais nos títulos de anticorpos IgG através da técnica de IH (Inibição da Hemaglutinação), ou detecção de genoma viral; ou, todo indivíduo assintomático ou oligossintomático originado de busca ativa que não tenha sido vacinado e que apresente sorologia (MAC-ELISA) positiva para febre amarela;
d) Caso confirmado por critério clínico epidemiológico - Todo caso suspeito de febre amarela que evolui para óbito em menos de 10 dias, sem confirmação laboratorial, no início ou curso de surto ou epidemia, em que outros casos já tenham sido comprovados laboratorialmente;
e) Descartado - Caso suspeito com diagnóstico laboratorial negativo, desde que se comprove que as amostras foram coletadas e transportadas adequadamente; ou, caso suspeito com diagnóstico confirmado de outra doença.

Vigilância
A ocorrência de casos humanos suspeitos e/ou confirmados, de epizootia ou a comprovação de circulação viral em vetores, são importantes para adoção das medidas de controle, portanto a notificação desses eventos deve ser imediata, pela via mais rápida.
De humanos - As medidas importantes são a vigilância das enfermidades que fazem diagnóstico diferencial com a febre amarela e a vigilância sanitária de portos, aeroportos e passagens de fronteira, com a exigência do certificado internacional de vacina, com pelo menos 10 anos da última dose aplicada para viajantes procedentes de países ou área endêmica de febre amarela.
De primatas não humanos - Iniciar as medidas de controle a partir da observação de um macaco morto ou doente.

De vetores silvestres 
A medida indicada é a captura destes mosquitos nas áreas de ocorrência de caso humano suspeito e/ou de epizootias, ou em locais de monitoramento da circulação viral, visando se proceder ao isolamento do vírus amarílico.

MEDIDAS DE CONTROLE

• A vacinação é a mais importante medida de controle. É administrada em dose única e confere proteção próxima a 100%. Deve ser realizada a partir dos nove meses de idade, com reforço a cada 10 anos, nas zonas endêmicas, de transição e de risco potencial, assim como para todas as pessoas que se deslocam para essas áreas. Em situações de surto ou epidemia, vacinar a partir dos seis meses de idade.
• Redução da população do Aedes aegypti, para diminuir o risco de reurbanização;
• Notificação imediata de casos humanos, epizootias e de achado do vírus em vetor silvestre;
• Vigilância de síndromes febris íctero-hemorrágicas;
• Desenvolver ações de educação em saúde e informar as populações das áreas de risco de transmissão.

Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume 1, 3ª edição, pág. 151 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004


Bibliografia
http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=381
Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso, Volume 1, 3ª edição, pág. 151 - Ministério da Saúde Brasília/DF - junho 2004

 

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