segunda-feira, 19 de junho de 2017

FILO: MOLLUSCA

MOLUSCOS

Filo Mollusca, do lat. Mollis = mole em alusão à consistência mole do corpo desses animais, ex.: polvos, lulas, mexilhões, ostras, lesmas e caracóis.

Os Moluscos (filo Mollusca) são animais de pele fina que tem o corpo mole e geralmente apresentam carapaças (chamadas conchas) mineralizadas com carbonato de cálcio (CaCO3) como proteção contra predadores, danos mecânicos e desidratação. Nesse grupo encontramos os polvos, lulas, ostras, lesmas, caracóis. Esses animais são encontrados em diversos habitats desde o fundo do mar até no alto de montanhas, todavia, são dependentes de ambientes úmidos. Algumas especies de moluscos como a ostra, o polvo a lula e alguns caracóis são usados como alimento pelos humanos, outros são pragas (caracóis herbívoros), alguns transmitem doenças (Bionphalaria sp) e alguns são usados para a produção de joias como a pérola e botões (ostras).


Estrutura corporal dos moluscos 
O corpo dos moluscos pode ser divido em três partes: Cabeça, Pés e Massa visceral. A cabeça abriga os órgãos sensoriais, o pé, grande e muscular sustentam o corpo ventralmente, ou no caso do polvo Cabeça e Tentáculos. Abaixo da pele os moluscos têm uma camada chamada de manto que é um epitélio especial que secreta a concha e também é responsável pelas trocas gasosas nos moluscos terrestres. 
Funções do manto: o manto se estende por todo o corpo e tem duas funções: 1) A parte externa do manto secreta a concha pois contém células responsáveis pela deposição de carbonato de cálcio, 2) além o manto forma uma cavidade que protege os órgãos respiratórios, reprodutores e excretores. 
A concha 
A concha apresenta três camadas: perióstraco, óstraco e hypóstraco.
1) perióstraco
Como vimos é o manto que secreta os componentes da concha. O periostacum é a primeira camada depositada por esse tecido nos moluscos jovens, ainda sem a concha. Essa camada é uma cobertura protetora e rígida composta de conchiolina. A conchiolina é uma proteína secretada pelo manto e é  uma das substâncias que compõem o nácar. É formada de queratina, colágeno e elastina. (A pérola contem aproximadamente 6% de conchiolina em sua estrutura. Algumas pérolas apresentam conchiolina em sua camada externa o que reduz o brilho e consequentemente seu valor, pois o que confere alto valor à pérola é a aragonita (uma das formas cristalinas do carbonato de cálcio, que é brilhante). A cor e a forma específicas do perióstraco difere conforme a espécie. O material da concha é continuamente depositado pelo manto à medida que o molusco cresce. Fatores ambientais como a disponibilidade de alimentos, temperatura, pH da agua, podem influenciar o desenvolvimento do animal, e, desta maneira, a formação da concha. Isso resulta no crescimento mais lento ou mais rápido o que forma linhas visíveis na superfície da concha.

2) óstraco 
A segunda camada da concha é feita de carbonato de cálcio -- o cálcio é extraído a partir dos alimentos e da água. O carbonato de cálcio pode formar dois tipos de cristais: calcita e aragonita, que são quimicamente idênticos, mas apresentam propriedades físicas diferentes. Em moluscos de água salgada, a segunda camada, o óstraco, é composta de minúsculos cristais hexagonais de calcita, enquanto em moluscos de água doce, ela contém cristais de aragonita, que são menos densos do que os de calcita.

3) hipóstraco ou camada nacarada
É a camada nacarada (camada mais interna que é constante e lentamente produzida pelo manto, ou seja, vai ficando cada vez mais grossa ao longo da vida do animal, pela deposição de carbonato de cálcio).  
À medida que os cristais de aragonita são empilhados como tijolos se alternam com o revestimento de conchiolina. Cada camada de cristais de aragonita (uma variedade de carbonato de cálcio) varia em forma e orientação, além de refletir a luz e produzir a cor e a iridescência características do nácar, também chamado de madrepérola. Além disso, o manto protege o molusco de parasitas e detritos que eventualmente entrem no corpo do molusco, encombrindo-os com nácar, um processo que, no caso das ostras, resulta em pérolas.


Sistema digestório 
Os moluscos apresentam sistema digestório completo (boca, estomago, intestino e ânus e orgãos anexos como figado pâncreas etc.). Na base da boca, exceto os bivalves os moluscos apresentam uma estrutura chamada de rádula. A rádula (plural radulae ou radulas) é uma estrutura anatômica exclusiva dos moluscos; muitas vezes é comparada a uma língua com inúmeras fileiras de dentículos quitinosos voltados para trás e que são usados para raspar ou cortar o alimento em porções pequenas antes que possa entrar no esôfago para ser deglutido. Nos gastrópodes a rádula é usada da mesma maneira por ambos carnívoros e herbívoros. O número de dentículos presentes na rádula pode ser usado para identificação e classificação dos animais dentro do filo.



Rádula de um gastrópode (Marstonia sp) mostrando a fileira central e parte das fileiras laterais de dentículos quitinosos. 

Sistema respiratório




O sistema respiratório varia dentro do filo dos moluscos. Nas especies aquáticas ocorre a presença de branquias (ctenidios = branquias em forma de pente), já os moluscos terrestres respiram por pulmões e através da epiderme (pele): respiração cutânea.



                 Branquia em formato de pente de um molusco bivalve. 


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Sistema nervoso
O sistema nervoso é composto por um gânglio nervoso dorsal e dois pares de cordão nervoso dorsal que conectam todos os gânglios dispersos pelo corpo. Há também diversas células sensoriais pelo corpo desses animais.

Sistema circulatório
A maioria dos moluscos apresentam um sistema circulatório aberto ou lacunar no qual o sangue é bombeado por um coração, passando por algums vasos e em determinado momento sai desses vasos e passa a circular em uma cavidade chamada de hemocele, de onde estão os órgãos vitais do animal, o sangue então circula entre os tecidos levando os nutrientes e retirando os excretas e levando o oxigênio. Já os cefalópodes apresentam um sistema circulatório fechado no qual o sangue não sai das veias e artérias.

Sistema excretor 
O sistema excretor é composto por pares de nefrídios que fazem a filtração dos líquidos corporais. Os nefrídios se abrem no celoma através de nefróstomas liberando os  

Sistema nervoso
O sistema nervoso é composto por um gânglio nervoso dorsal na região da cabeça e dois pares de cordão nervoso dorsal que conectam todos os gânglios dispersos pelo corpo. Há também diversas células sensoriais pelo corpo desses animais.

Reprodução
A fecundação pode ser tanto externa quanto interna formando larvas trocóforas (possuem várias fileiras de cílios) que se desenvolvem formando a larva véliger. 


Bibliografia


Brusca & Brusca, Invertebrados, 2 edição, 2007.


FILO - ANNELIDA (ANELÍDEOS)



FILO: ANNELIDA
ANELÍDEOS
Filo Annelida: do latim annelus, pequeno anel + o sufixo: idae = semelhante a.

O Filo Annelida inclui animais como minhocas, vermes marinhos e sanguessugas. O nome do filo como já visto vem do latim annelus, que significa anelzinho mais o sufixo ida (semelhante). Os anelídeos são encontrados em ambientes marinhos, de água doce e terrestres, parasitas e predadores. A presença de cerdas é a característica que levamos em consideração para separar os anelídeos em três classes: POLYCHAETA, OLIGOCHAETA e HIRUDINEA.  Os poliquetas (poly =  são predominantemente marinhos, a maioria é bentônica, mas alguns levam uma vida pelágica. Os oligoquetas e sanguessugas ocorrem principalmente no solo e em águas continentais. Os anelídeos podem ter menos que 1 mm de comprimento a mais de 3 m. O menor anelídeo descrito, um poliqueta, alcança apenas algumas centenas de micra de comprimento. Também dentro de Polychaeta (Eunicida), encontramos o maior representante de Annelida: um espécime do gênero Eunice, preservado no Museu de História Natural de Washington D. C. tem quase 3 m de comprimento e 5 cm de diâmetro em sua condição contraída! Algumas minhocas também podem atingir 1 m de comprimento (Megascolides australis), e a maior sanguessuga, Haementeria ghilianii sul-americana, alcança mais de 40 cm de comprimento.


CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ANELIDEOS

ANELIDEO 
ORIGEM DOS TECIDOS DE UM ANELIDEO ADULTO
(imagem: Google images)


1) TRIBLÁSTICOS

2) SIMETRIA BILATERAL
 
3) APRESENTAM METAMERIA (apomorfia dos anelídeos) ou SEGMENTAÇÃO (repetição de unidades funcionais os metâmeros ou segmentos; veja abaixo).
Corpo segmentado com os segmentos repetidos inúmeras vezes ao longo do corpo. (Annelida - do latim annelus, pequeno anel)

4) APRESENTAM CERDAS
Estruturas quitinosas que tem função na locomoção e ancoragem nos túneis (minhocas terrestres) e auxiliam no deslocamento e na respiração branquial nos poliquetas (marinhos) (cerdas modificadas chamadas de PARAPÓDIOS).



5) SEGMENTAÇÃO
Corpo formado por repetição de unidades funcionais os metâmeros.

A IMPORTÂNCIA DA SEGMENTAÇÃO

A segmentação ou metameria é característico de animais cujos corpos são divididos em séries longitudinais de unidades repetidas ou segmentos (metâmeros ou segmentos).

VANTAGENS DA SEGMENTAÇÃO
Uma das  vantagens mais importante da segmentação é que esta divide o corpo em uma série de compartimentos, cada um dos quais pode ser regulado mais ou menos independentemente.  Assim, a evolução da segmentação, como a evolução da MULTICELULARIDADE  e da COLONIALIDADE proveu uma rede de especialização. Em animais coloniais (cnidários por ex.), tal especialização é aparente no polimorfismo dos zoóides, enquanto nos animais segmentados ela resulta em uma especialização regional dos segmentos do corpo.

O mais simples exemplo de especialização regional é encontrado em anelídeos nos quais o corpo pode ser fracamente dividido em CABEÇA, TÓRAX e ABDOMEM.  Essas mesmas divisões são mais proeminentes nos ARTHTROPODA (como insetos e muitos crustáceos). No caso extremo,  por exemplo, nos vertebrados superiores,  mesmo o arranjo segmental dos músculos é obscurecido pela especialização regional (do corpo).

A especialização regional do corpo é o resultado de três processos:
1- restrição, 
2- divergência e 
3- fusão.

1- Restrição: certas estruturas segmentais tornam-se restritos à apenas alguns segmentos, por ex.: as gônadas são geralmente restritas à uns poucos segmentos genitais especializados.
2- Divergência: Outras estruturas segmentares podem ser retidas em todos segmentos mas podem estruturalmente divergir dependendo do local em que se encontram, e adotar funções diferentes. Tal divergência é comum entre apêndices segmentados alguns dos quais podem ser especializados para locomoção, enquanto outros funcionam, por ex.: para raspar, mascar, realizar trocas gasosas.
3- Fusão: A especialização também resulta da fusão dos segmentos. Embora a fusão possa ocorrer em qualquer lugar ao longo do comprimento do animal segmentado é comumente expresso como fusão anterior de um ou mais segmentos com um prostômio para formar uma cabeça complexa.
A cabeça de um poliqueto comum como o Nereis sp. é formada de um prostômio e no mínimo dois segmentos enquanto que a cabeça de  uma mosca das frutas (Drosophila melanogaster) é composta de cinco segmentos.


6) FORMA DO CORPO
Apresentam corpo alongado e cilíndrico, divido em anéis ou METAMÊROS.

7) PROTOSTÔMIOS (blastóporo da origem à boca) CELOMADOS (apresentam Celoma que é a cavidade do corpo originado no interior do mesoderma ESQUIZOCELOMA.
Essa cavidade do corpo é preenchida por um fluido, onde o intestino e todos os outros órgãos se encontram.
8) As cerdas são usadas para se classificar os anelídeos:
POLIQUETOS - muitas cerdas (marinhos ex.: Nereis)
Em geral, poliquetas são animais cavadores que apresentam uma musculatura circular bem desenvolvida e septos completos, onde o fluido celomático (que funciona como esqueleto hidrostático) é restringido a cada segmento. A escavação se dá por peristalse.
OLIGOQUETOS – poucas cerdas (terrestres ex.: minhoca)
(do latim: oligos = pouco + chaeta = cerda; poucas cerdas) é uma classe dos Annelida que possui o corpo constituído de segmentos semelhantes que lembram anéis. Habitam o solo e habitats aquáticos.
HIRUDÍNEA – sem cerdas (aquáticos e terrestres ex.: Hirudo spp. sanguessuga). Antigamente eram chamados Aquetas (ACHAETAS), ou seja, sem cerdas,  se alimenta de geralmente do sangue de outros animais, embora muitas sanguessugas sejam predadoras carnívoras e não hematófagas. São animais hermafroditas, não possuem cerdas e possuem ventosas para sua fixação.  
9) Apresentam cutícula protetora
10) Apresentam músculos bem desenvolvidos (músculos longitudinais e músculos circulares em cada segmento).
11) NUTRIÇÃO
Existem espécies predadoras, como, por exemplo, os poliquetos carnívoros que possuem mandíbulas para a captura de alimento; outras espécies são detritívoras ingerem sedimentos que constitui o solo (as minhocas terrestres possuem também cecos intestinais e tiflossole modificações que aumentam muito a absorção do alimento); outras se alimentam por filtração. E ainda temos as sanguessugas alimentam-se de sangue de outros animais, por sucção.
 MANDIBULAS DE UM POLIQUETO CARNÍVORO
 .
12) SISTEMA CIRCULATÓRIO
Sistema circulatório fechado, formado por vasos sanguíneos interligados, composto por um vaso sanguíneo dorsal e outro ventral, os cinco pares anteriores e o vaso dorsal são musculosos e bombeiam o sangue para todo o corpo.
13) SISTEMA NERVOSO
O sistema nervoso é formado por um par de gânglios cerebrais semelhantes a um cérebro que se localiza acima e a frente da faringe (anterior e dorsal), um anel de cordões nervosos ao redor da faringe, conecta-se a gânglios ventrais em cada segmento.
 Cordão nervoso ventral com especializações nos anelideos
Gânglios cerebrais ligados por um anel nervoso que partem do "cérebro" e se unem em um cordão ventralmente ao corpo do animal.
Sistema nervoso dos anelídeos (em verde) mostrando os nervos que inervam cada um dos segmentos (anéis).
  Cordão nervoso dorsal e "cérebro" de um anelídeo.

14) RESPIRAÇÃO
Respiração CUTÂNEA (através da pele) nos terrestres
Respiração branquial (através de brânquias) nos aquáticos

15) REPRODUÇÃO
SÃO ORGANISMOS HERMAFRODITAS (MONÓICOS) porém SEM OCORRÊNCIA DE AUTOFECUNDAÇÃO.



16) CAVIDADE CORPORAL 
Os anelídeos apresentam como cavidade corporal um celoma verdadeiro do tipo ESQUIZOCELOMA, i.e., sua origem é de células que migram do endoderma para dentro da blastocele. Essas células se organizam em bolsas dentro da blastocele e crescem ate coalescerem (unirem-se formando uma nova cavidade, ou revestindo a antiga blastocele). 
O ESQUIZOCELOMA é então uma cavidade corporal preenchida pelo fluido celômico. Este fluído facilita o transporte interno de substâncias nutritivas e células. Além disso, a presença de um celoma verdadeiro confere vantagens funcionais aos animais que o possui, por ex., a separação entre o sistema digestório e a parede corporal permite que o animal se movimente mais eficientemente, no sentido de que ele pode se mover sem interferir com os eventos que ocorrem no tubo digestivo.
O surgimento do celoma (esquizoceloma) também permitiu o desenvolvimento de vários órgãos que necessitam de espaço, como as gônadas e órgãos excretores, que se localizam no interior do celoma.
Assim, uma das principais funções do celoma e de seu fluido interno é servir como um esqueleto hidrostático, o qual fornece o apoio para a contração muscular. O que confere maior eficiência, força e precisão aos movimentos executados pelo animal.

Fontes

http://www.sfu.ca/~fankbone/v/polychaeta.html
http://www.biologia.ufrj.br/labs/labpoly/publica.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Polychaete