Desde a antiguidade o ser humano procura explicações para a origem da vida na Terra. Há mais de dez mil anos atrás segundo antigas, doutrinas especialmente na Índia, na Babilônia (atual Iraque) e no Egito havia crença que as rãs, crocodilos e as cobras eram geradas pela lama dos rios. Esses animais apareciam inexplicavelmente no lodo ou associados a ele (lugares úmidos) e eram pensados como manifestações da vontade dos deuses; e acreditava-se que surgiam atravéz de geração espontânea.
O primeiro a fazer a pergunta de onde teriam surgido os seres vivos de forma sistemática e séria foi Aristóteles (séc. IV a.C.); logo, ele é considerado também o grande defensor (e o mais famoso), dessa hipótese na antigüidade. Para explicar a origem da vida ele supunha a existência de um “princípio ativo” ou uma “força vital” dentro da matéria inanimada. Esse princípio ativo organizador seria responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento que os animais passam desde ovo até o animal adulto. Cada tipo de ovo tendo um princípio organizador diferente, de acordo com o tipo de ser vivo.
Esse mesmo princípio organizador também tornaria possível que seres vivos completamente formados eventualmente surgissem a partir da matéria bruta.
A idéia era baseada em observações (descuidadas), sem rigor científico de que alguns animais aparentemente surgem da matéria em putrefação, ignorando a pré-existência de ovos ou mesmo de suas larvas. Isso antecedeu o desenvolvimento do método científico tal como praticamos hoje, não havendo tanta preocupação em certificar-se de que as observações fossem fidedignas e sistemáticas. Dessa interpretação (que os organismos vivos pudessem ser gerados a partir da matéria bruta, inanimada) surgiu a TEORIA DA GERAÇÃO ESPONTÂNEA ou TEORIA DA ABIOGÊNESE, segundo a qual todos os seres vivos originaram-se espontaneamente da matéria bruta.
As receitas para produzir seres vivos
O grande poeta romano Virgílio (70 a.C.-19 a.C.), garantia que moscas e abelhas nasciam de cadáveres em putrefação. Já na Idade Média, Aldovandro afirmava que, o lodo do fundo das lagoas, poderiam nascer patos e morcegos (idéia também defendida por outros muito mais antigos que ele).
O padre Anastásio Kircher (1627-1680), professor de Ciência do Colégio Romano, explicava a seus alunos que do pó de cobra, espalhado pelo chão, nasceriam muitas cobras.
Houve até um cientista belga Jean Baptist van Helmont (1577-1644) (sec.XVII) que chegou a propor uma receita para produzir seres vivos. Ele ensinava que para produzir ratos bastava juntar uma camisa suada e suja e um punhado de grãos de trigo, colocar essa mistura em um local escuro e protegido (dentro do celeiro, por ex.). Depois de algum tempo iriam aparecer ratos no local. Sabe-se hoje que os ratos aparecem atraídos pelo alimento e não que tivessem surgido a partir dessa mistura.
Van Helmont também propôs uma receita para produzir escorpiões, bastando para isso de uma camisa suada, trigo e pedaços de queijo.
2.TEORIA DA PANSPERMIA OU
TEORIA DE ARRHENIUS
CUJO FUNDAMENTO ESTA EM ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENA 500 a.C.
Panspermia do
grego : πανσπερμία do grego = πᾶς, πᾶν (pas, pan)
todo e σπέρμα (sperma) semente, é a hipotese que afirma que a vida existe em
todo universe e que é distribuida à todos os planetas atravéz dos
meteoritos, cometas, asteróides e planetóides.
A teoria da panspermia propõe que a vida
pode sobreviver aos efeitos do espaço, viajando como extremófilos (bactérias resistente
a extremos de temperatura, pressão etc) como as archaea (arqueias). Esses orgamismos semelhante à Archaea teriam sido ejetadas de seu lugar de origem e vagam no espaço em pequenos corpos como
rochas (meteoritos), cometas etc. Quando encontram condições ideais para se desenvolver
e crescer em uma nova superfície planetária tornam-se ativas e iniciam o
processo de colonização e então evoluem. A panspermia não explica como a vida
surgiu, mas é um método de espalhamento da vida através de todo o universo.
Associado a panspermia existe a hipótese da exogênese,
do grego: ἔξω = exo = do exterior, de fora; e γένεσις = genesis = origem. Essa hipótese é mais limitada e propõe que a vida
foi transferida para a Terra de outros lugares do universo, mas não faz previsões
sobre o quão espalhada a vida é no universo.
O primeiro pensador a conjecturar sobre o "todo" foi Anaxágoras de Clazômenas. Ele dizia:
"Em todas as coias ha partículas de tudo, exceto do Nóus (νοῦς): pois o Nóus se mantém uno."
SIMPLÍCIO, Física, 34, 28 (SOBRE A NATUREZA)
"Estas (coisas) sendo assim, é preciso admitir que muitas e de toda
espécie são contidas em todos os compostos e sementes de todas as
coisas (pan spermia =πανσπερμία), que formas de toda espécie têm, e cores e sabores. E que se
compuseram homens e os outros animais, quantos têm alma. E que os homens
em comum habitam cidades e organizam trabalhos, como entre nós, e sol
eles têm e lua e os demais astros como entre nós, e a terra para eles
produz muitas (coisas) e de toda espécie, das quais as mais úteis eles
recolhem para a habitação e utilizam. Estas (coisas) portanto por mim
estão ditas sobre a separação, que não somente entre nós poderiam ter
sido separadas, mas também por outras partes. E antes de terem sido
separadas estas (coisas) quando todas eram juntas, nem mesmo cor era
evidente, nenhuma só; pois o impedia a mistura de todas as coisas, do
úmido e do seco, do quente e do frio, do luminoso e do sombrio, e terra
se encontrando muita e semente em quantidade infinita em nada se
assemelhando umas às outras. Pois tampouco das outras (coisas) nenhuma é
semelhante a outra. Estas assim se comportando no conjunto, é preciso
admitir que são contidas todas as coisas." (Anaxágoras, sec. V a.C.)
No sec. XIX novamente essa teoria foi ressucitada por diversos cientistas, incluindo Jöns Jacob Berzelius (1834); Lord Kelvin (1871), Herman von Helmholtz (1879) e posteriormente em 1903 por Svante Arrhenius em seu livro de 1908 (Arrhenius, Svante. Worlds in the Making: The Evolution of the Universe. New York, Harper & Row, 1908).
Sir Fred Hoyle e Chandra Wickramsinghe foram importantes proponentes dessa hipótese e afirmaram que ainda hoje formas de vida contiuam a entrar na atmosfera da Terra e podem ser responssáveis por surgimento de epidemias, novas doenças, e novidades genéticas.
A hipótese da panspermia não sugere necessariamente que a vida se originou somente uma vez e subsequentemente se espalhou através de todo o universo, mas em vez disso uma vez iniciado o processo a vida pode se espalhar para outros ambientes apropriados para sua replicação.
Segundo a teoria da Panspermia, formulada pelo físico sueco Svante Arrhenius,
a Terra teria sofrido uma inseminação por organismos, partículas
provenientes do espaço sideral, chegando à Terra, de carona, através de
poeira cósmica, meteoritos e cometas. O argumento apresentado para tal hipótese
é a presença de matéria orgânica em meteoritos encontrados na Terra,
como certos tipos de aminoácidos (que são os blocos de construção de toda a vida) e também de formaldeído, álcool etílico e hidrocarbonetos (todos compostos orgânicos relacionados a vida na Terra).
PESQUISAS COM METEORITOS
METEORITO DE MURCHINSON, 1969
FRAGMENTO DO METEORITO DE MURCHINSON SENDO ANALISADO
AMPLIAÇÃO DOS CONDRITOS CARBONÁCEOS DO
METEORITO DE MURCHINSON
METEORITO DE MURCHINSON
COMPOSTOS ORGÂNICOS ENCONTRADOS NO METEORITO
COMPARE COM A ESTRUTURA DOS CONSTITUINTES PRESENTES NA ESTRUTURA DO DNA DE TODOS OS SERES VIVOS
Fatos que apioam a teoria da panspermia
Meteorito de Murchinson (Australia, Murchinson, 1969)
Meteorito ALH 84001 (Antártica, Allen Hills, 1984)
Stardust Space Probe - Missão da NASA cujo objetivo foi investigar a composição química dos cometas através da coleta de material da cauda destes corpos siderais. Os resultados mostraram que na cauda do cometa Wild 2 em 2004.
"The discovery of glycine in a comet supports the idea that the
fundamental building blocks of life are prevalent in space, and
strengthens the argument that life in the universe may be common rather
than rare," said Carl Pilcher, director of the NASA Astrobiology
Institute, which co-funded the research."
Análises das amostras
Isotopes are versions of an element with different weights or masses;
for example, the most common carbon atom, Carbon 12, has six protons and
six neutrons in its center (nucleus). However, the Carbon 13 isotope is
heavier because it has an extra neutron in its nucleus. A glycine
molecule from space will tend to have more of the heavier Carbon 13
atoms in it than glycine that's from Earth. That is what the team found.
"We discovered that the Stardust-returned glycine has an
extraterrestrial carbon isotope signature, indicating that it originated
on the comet," said Elsila.
Samples of twelve carbon-rich meteorites, nine of which were recovered from Antarctica.
The researchers extracted
each sample with a solution of formic acid and ran them through a
liquid chromatograph, an instrument that separates a mixture of
compounds. They further analyzed the samples with a mass spectrometer,
which helps determine the chemical structure of compounds.
The team found adenine and
guanine, which are components of DNA called nucleobases (bases nucléicas), as well as
hypoxanthine and xanthine.
DNA resembles a spiral ladder; adenine and
guanine connect with two other nucleobases to form the rungs of the
ladder.
They are part of the code that tells the cellular machinery
which proteins to make.
Hypoxanthine and xanthine are not found in DNA,
but are used in other biological processes.
Inside two of the meteorites the team also found
the first traces of three other nucleobase molecules including purine,
2,6-diaminopurine, and 6,8-diaminopurine.
Muitos dados se acumulam nas últimas quatro décadas mostrando que tanto meteoritos condríticos e cometas bem como poeira cósmica podem conter os blocos construtores da vida (aminoácidos, proteinas e bases nucléicas). Todavia o que não esta claro ainda, é como e
onde essas moléculas foram produzidas. Teorias mais antigas tem apontado para a
síntese em grandes nuvens de gás da qual o sistema solar foi formado,
implicando que os ingredientes para a vida foram importados de longe. Mesmo assim a interpretação para todos esses fatos se encontram ainda em aberto, esperando mais estudos e mais mentes pensantes que se dediquem a esse tão importante tema.
Fonte:
Cronin,
J. R. e colaboradores. Enantiomeric Excesses in Meteoritic Amino Acids. Science,
275, 951 (1997).
Botta, O. & Bada, J. L.
Extraterrestrial Organic Compounds in Meteorites. Surveys in Geophysics, 23(5),
411 (2002).
Pré-Socráticos, vol. II, 1989. São Paulo,Ed. Nova Cultural.
Em textos antigos tanto literários quanto científicos podemos encontrar referências à origem dos seres vivos, especialmente sapos, rãs, cobras, moscas e escorpiões, como sendo esses organismos oriundos da matéria bruta (não viva) ou inanimada. Ao longo de mais de 2.300 anos perdurou a discução entre a teoria da geração espontãnea ou abiogênese e a teoria da biogenese (omne vivo ex vivum). Por muito tempo houve acirrada discução entre essas duas teorias; até que baseado em experimentação sistemática a teoria da biogênese foi aceita. Hoje apenas ensinamos que existiu um outro pensamento alternativo (porém errôneo) à teoria da biogênese.
A teoria da BIOGÊNESE ou Teoria de Oparin-Haldane, afirma que a partir de gases presente na atomosfera da Terra se produziu todos os compostos orgânicos necessarios a vida e provavelmente ate mesmo a prórpia vida, via coacervados chegando na primeira célula.
A primeira fase das reações entre a mistura de gases (supostamente presentes na atmosfera do planeta) e que fazem parte do experimento de Stanley Miller origina ácido cianídrico (cianeto de hidrogênio) HCN, formaldeído CH2O e outros compostos intermediários ativos como o acetileno e o cianoacetileno entre outros.
CO2 → CO + [O] (oigênio atômico)
CH4 + 2[O] → CH2O + H2O
CO + NH3 → HCN + H2O
CH4 + NH3 → HCN + 3H2
O formaldeído, o amoníaco, e ácido cianídrico HCN poden depois reagir na chamada Síntese de Stecker para formar aminoácidos e outras biomoléculas:
Construído pelos alunos Schimitt e Gabriel Del Pino Martins
(24/III/2012)
Geralmente, quando ouvimos ou lemos o termo vírus, imaginamos o processo de instalação e ou infecção causadas em organismos eucariotos, e.e., organismos que possuem células, citoplasma, organelas no citoplasma, e núcleo com carioteca. Já quando lemos o termos bacteriófago, pensamos em uma entidade que ataca bactérias, bacteria + fago. Realmente esses organismos chamados bacteriófagos são vírus que se instalam em procariotos. Os procariotos que são organismos que não possuem membrana nuclear envolvendo seu material genético, que normalmente se constitui num DNA circular ligado ao mesossomo da célula.
Nos dias atuais já foram identificadas aproximadamente mais de 3.000 espécies de vírus que podem infectar bactérias, plantas e animais. E como fazem isso? Eles conseguem reconhecer a célula, seja bacteriana ou eucariota, se ligar a esta célula com suas proteínas específicas. Uma vez ligadas a superfície celular eles conseguem penetrar na célula ou simplesmente injetar seu material genético no citoplasma da célula, onde este usará o maquinário disponível no citoplasma para construir copias de si mesmo, e por ultimo produzir as proteínas específicas para reconstruir seu envoltório, o capsídeo e assim sair da célula hospedeira. Esse processo todo é a doença que vemos quando entramos em contato com algum vírus. Cada doença tem suas particularidades quanto ao modo de transmissão, época do ano em que são mais comuns, por exemplo a gripe é mais comum no inverno, e características de sua infecção e medidas profiláticas para evitar seu espalhamento.
As doenças viróticas que mais acometem o organismo humano são as seguintes: Influenza ou Gripe, Catapora ou Varicela, Caxumba, Dengue, Febre Amarela, Hepatite, Rubéola, Sarampo, Varíola, Diarréias (causadas por Rotavírus), Herpes simples, Raiva, HIV-Aids, Poliomielite. Em cada regiões do planeta encontramos grupos diferentes de viroses, todavia essas listadas acima são as mais prevalentes em todo mundo.
Os fósseis são restos ou vestígios de seres vivos ou de atividades biológicas (ovos, pegadas, impressões de folhas, ramos, frutos, ossos, conchas, etc.) preservados nas rochas. Os fósseis podem ser preservados em rochas sedimentares, rochas metamórficas, gelo, piche, âmbar, solos ou cavernas. A essas rochas contendo fósseis chamamos de registro fóssil.
A palavra "fóssil" deriva do termo latino fossilis que significa "desenterrado" ou "extraído da terra". A ciência que estuda os fósseis é a Paleontologia.
Do grego:παλαιός= Palaios = antigo, velho + ὄν, ὀντ = on, ont = criaturas, seres vivos + λόγος = logos = estudo).
FORMAÇÃO E PRESERVAÇÃO DOS FÓSSEIS
A fossilização de um organismo é resultante da ação de um conjunto de processos químicos, físicos e biológicos que atuam no ambiente deposicional, i.e., onde o organismo morreu e se depositou. A área do conhecimento que estuda a fossilização chama-se TAFONOMIA.
TAFONOMIA é o estuda da decomposição, deterioramento, desintegração dos organismos ou parte destes no tempo e como esses restos se tornam fossilizados.
A palavra tafonomia vem do grego: taphos = τάφος = sepultura, enterramento + nomós = νόμος = lei; e foi introduzida na paleontologia em 1940 pelo pesquisador russo chamado Ivan Efremov para descrever o estudo das transições dos restos, partes, produtos ou vestígios dos organismos da biosfera para a litosfera, i.e., sua transformação em fósseis.
Os organismos que apresentam maiores chances de tornarem-se fósseis são aqueles que possuem partes duras ou biomineralizadas por carbonatos, fosfatos e silicatos (por exemplo ossos e carapaças) ou constituídos por materiais orgânicos resistentes como a quitina (carapaça ou exoesqueleto de artrópodes) e celulose (material duro que forma os vegetais). Entretanto, podem ocorrer no registro geológico a preservação excepcional das partes moles do corpo de um organismo deixando uma impressão de como foi esse organismo em vida.
Logo após a morte do organismo as partes moles entram em processo de decomposição devido a ação das bactérias e fungos decompositores, e as partes duras se permaneceram na superfície terrestre ficam sujeitas às condições ambientais o que pode levar a destruição total dos restos em pouco tempo (poucos anos).
Ao longo do tempo geológico uma percentagem minúscula das espécies que viveram no planeta Terra conseguiu escapar do ciclo natural de destruição total, tornando-se fósseis preservadas em rochas sedimentares.
Fatores que atuam na preservação dos indivíduos e favorecem a fossilização:
1) O rápido soterramento após a morte,
2) Ausência de decomposição por bactérias e fungos,
3) A composição química e estrutural do esqueleto (partes duras tem mais probabilidade de fossilizar),
4) O modo de vida do orgamismo,
5) As condições químicas que imperam no meio onde o organismo morreu (se é um deserto ou pântano ou caverna ou um lago de alcatrão (piche).
Mesmo depois dos fósseis já estarem formados, outros fatores concorrem para sua destruição nas rochas, como águas percolantes (que se infiltram e podem dissolver o fóssil), agentes erosivos, vulcanismo, eventos tectônicos orogênicos e metamorfismo das rochas.
As rochas onde os fósseis são encontrados também podem contar parte da história do fóssil ali encontrado, e indicam as condições que existiam no ambiente onde esses organismos viviam.
TIPOS DE FOSSILIZAÇÃO
Os fósseis podem se preservar de diferentes modos, dependendo dos fatores e das substâncias químicas que atuaram após a morte do organismo. Podem-se reunir os tipos de fossilização em dois grandes grupos: Restos e Vestígios.
Restos: na maioria das vezes, consistem nas partes mais resistentes dos organismos, tais como conchas, ossos e dentes, denominadas de partes duras.
As partes duras, devido à sua natureza, têm mais chances de se fossilizarem. Sua composição pode ser de sílica (SiO2), bastante resistente às intempéries, como as espículas de algumas esponjas; de carbonato de cálcio (CaCO3) sob a forma de calcita ou aragonita, das quais são constituídas as placas esqueléticas de equinodermas e conchas de moluscos; de quitina, um polissacarídeo complexo, menos durável do que a maioria dos esqueletos minerais e que compõe o exoesqueleto dos artrópodes. Mesmo nas rochas mais antigas, são encontradas muitas partes duras que se conservaram sem alterações na sua composição química original.
No Brasil, essas ocorrências são raras, devido ao alto grau de intemperismo que atua nas rochas, mas foram encontradas conchas de gastrópodes (moluscos) cretáceos da bacia do Sergipe que apresentam a coloração original. Podem ser preservados através de vários processos, tais como:
CARBONIZAÇÃO: é um processo onde ocorre a perda gradual dos elementos voláteis da matéria orgânica (oxigênio, nitrogênio e hidrogênio), onde estes são liberados, ficando apenas uma película de carbono. Esse tipo de fossilização ocorre com maior freqüência nas estruturas constituídas por lignina, celulose, quitina e queratina. Apesar das alterações ocorridas na composição química original, muitas vezes a microestrutura fica preservada, permitindo o estudo da anatomia dos vegetais fosseis.
INCRUSTAÇÃO: as substâncias transportadas pela água cristalizaram-se na superfície da estrutura, revestindo-a por completo, preservando assim a parte dura. Esse é o processo de fossilização que ocorre geralmente com organismos mortos em ou transportados para cavernas. Os animais morrem, a parte orgânica desaparece e então os ossos são incrustados de carbonato de cálcio. Além da calcita, outras substâncias podem participar desse processo, como a pirita e a sílica.
PERMINERALIZAÇÃO: é um tipo de fossilização bastante freqüente. Ocorre quando um mineral preenche os poros, canalículos ou cavidades existentes no organismo. Os ossos e troncos de árvores são bastante porosos e bastante suscetíveis a essa forma de preservação. As substâncias minerais, como o carbonato de cálcio e a sílica, que são capazes de serem dissolvidas e carregadas pela água, penetram nas cavidades lentamente, permitindo muitas vezes que a estrutura original seja preservada.
SUBSTITUIÇÃO: é um processo de fossilização que ocorre quando, por exemplo, o carbonato de cálcio que constitui as conchas é substituída por sílica, pirita ou limonita, e até mesmo por um novo carbonato de cálcio. Nesses casos, os fosseis são réplicas das conchas primitivas. Quando esse processo é muito lento, detalhes das estruturas dos tecidos podem ficar preservados.
RECRISTALIZAÇÃO: ocorre quando há modificações na estrutura cristalina do mineral original, e a composição química permanece a mesma. Um exemplo é a conversão da aragonita das conchas de moluscos em calcita; a mudança no arranjo cristalino da calcita, de micro para macrocristalina; da opala, amorfa, para calcedônia, criptocristalina. Sempre que ocorre recristalização, há a destruição das microestruturas o que impossibilita qualquer informação sobre as células ou outras microestruturas.
(fonte da imagem: Revista Veja)
A área da PALEONTOLOGIA que estuda a origem e evolução do homem chama-se de PALEOANTROPOLOGIA (Antropologia = estudo do homem)
e a disciplina que estuda sua cultura e modo de vida e relacionamento com outros grupos e com a natureza chama-se ARQUEOLOGIA.
FÓSSEIS ÍNDICE
São fósseis usados para datar as camadas onde são encontrados.
Alguns dos principais taxa encontrados no Afloramento Bainha: a) GP/3T 272 Glossopteris communis Feistmantel, b) GP/3T 255 Noeggerathiopsis hislopii (Bunbury) Feistmantel, c) GP/3T 1161a Phyllotheca griesbachii Zeiller. (GP/3T = coleção da Universidade de São Paulo;escalas = 3 cm).
O afloramento Bainha localiza-se na área urbana do município de Criciúma, região carvoeira do estado de Santa Catarina, região sul do Brasil. Os depósitos expostos no afloramento correspondem aos da "Camada Irapuá", terceira camada de carvão, da base para o topo, assinalada para a porção médio-superior da Formação Rio Bonito, Subgrupo Guatá, Grupo Tubarão, Bacia do Paraná.
Esse afloramento contém o registro da denominada "Tafoflora Irapuá", composta de diversos megafósseis relacionados a "Flora Glossopteris". No âmbito da Bacia do Paraná, a "Tafoflora Irapuá" corresponde à "Tafoflora C", quarto estágio evolutivo das floras Neopaleozóicas da porção centro-norte da bacia. A tafoflora do afloramento Bainha destaca-se por ser a mais típica e diversificada associação pós-glacial da "Flora Glossopteris" encontrada em seqüências do Gondwana Inferior da Bacia do Paraná. Isto permite uma extensa correlação intra-gondwânica entre os depósitos carboníferos do sul do Brasil e aqueles registrados na Argentina, África do Sul, Índia, Austrália e Antártica. A associação do afloramento Bainha é considerada de idade Eopermiana (Artinskiana-Kunguriana).
O afloramento Bainha representa o sítio paleontológico de maior importância para o conhecimento da denominada "Flora Glossopteris" registrada em seqüências do Gondwana Inferior do sul do Brasil. O seu enorme conteúdo fossilífero constitui-se principalmente de megarestos vegetais relativos aos diversos grupos que compunham a "Flora Glossopteris", tais como, esfenófitas, pteridófitas, pteridófilas (formas incertae sedis), cordaitófitas, coniferófitas e glossopteridófitas. Estes restos incluem uma vasta gama de fragmentos de caules, folhas, estruturas reprodutivas e sementes, todos preservados na forma de impressões. É notável, entretanto, a ausência do grupo das licófitas nessa associação.
A relevância deste sítio está não só na presença de 58 taxa de vegetais fósseis, dentre os quais destacam-se várias espécies (Buriadia mendesii, Cordaicarpus rocha-camposii, C. irapuenses, Gangamopteris rigbyi, Glossopteris spathulato-cordata var. dolianiti, Samaropsis bainhensis, S. criciumensis, S. millaniana, S. mendesii) e gêneros endêmicos (Arberiopsis, Brasiliocladus, Notoangaridium, Notocalamites, Ponsotheca), mas também por representar um dos melhores registros conhecidos de uma típica flora gondwânica pós-glacial associada a depósitos de carvão. A diversidade e a abundância de taxa no afloramento Bainha possibilitam, además, uma franca correlação com associações florísticas provenientes de outras áreas carboníferas tanto da Bacia do Paraná (floras de algumas localidades nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul) bem como de outras bacias na América do Sul (floras do Andar Lubeckense B na Argentina) e demais continentes gondwânicos (floras das Zonas III-IV na África do Sul, do Andar Barakar na Índia, do Eopermiano do oeste da Austrália e do Neopermiano do leste australiano e Antártica) (Bernardes-de-Oliveira, 1977, 1980a). A composição florística e as correlações estabelecidas sugerem uma idade Eopermiana (Artinskiana-Kunguriana) para a megaflora do afloramento Bainha.
Em termos da sucessão tafoflorística da Bacia do Paraná, a associação do afloramento Bainha caracteriza a "Tafoflora C" de Rösler (1978) na qual predominam entre as folhas de glossopteridófitas as do morfo-gênero Glossopteris e são raras as licófitas. Ao nível dos domínios gondwânicos ela representa o estágio evolutivo no qual a "Flora Glossopteris" apresenta-se "quase pura" dada a relativa ausência de "elementos florísticos nórdicos", tais como Alethopteris, Sphenophyllum e Annularia, nesta associação (Bernardes-de-Oliveira, 1977, 1980a). Por tais características, o afloramento Bainha, juntamente com alguns outros sítios localizados em Criciúma (afloramentos do Bairro 20, Hospital e São Marcos) e municípios próximos (Treviso, Lauro Müller), fornece evidências paleontológicas extremamente úteis para o entendimento dos ambientes deposicionais e dos processos nos quais foram gerados os depósitos de carvão na porção ocidental do Gondwana. Além disso, não se pode esquecer da inegável contribuição que associações florísticas como a do afloramento Bainha tiveram, desde meados do século vinte, na comprovação da existência do antigo "Continente de Gondwana" e na defesa da "Teoria da Deriva Continental". O encontro de ricas associações taxonomicamente similares da "Flora Glossopteris" através dos continentes austrais, atualmente separados por extensos mares oceânicos, constitui-se numa das mais notáveis evidências geológicas para a comprovação de que essas áreas continentais estiveram outrora conectadas umas às outras (Plumstead, 1973).
Fósseis de árvores do período Triássico do município de Mata/RS.
(fonte Google images)
DERIVA CONTINENTAL E OS FÓSSEIS
Alfred Wegener apresentou sua teoria da deriva continental à German Geological Association em Frankfurt no dia 6 de Janeiro de 1912. Essa teoria não foi bem recebida pelos geólogos da época e nem foi bem recebida quando ele palestrou em Marburg quatro dias depois. Os geólogos da época simplesmente não conseguiam acreditar ou conceber que os continentes estava flutuando sobre uma camada de magma semi-líquido e que estava a deriva sobre esse mando pastoso. Atualmente sabemos a partir dos dados dos estudos de fósseis e sobre a tectônica de placas que as ideias de Wegener estavam totalmente corretas.
Nosso planeta tem 4,54 bilhões de anos. Esse longo intervalo de tempo, chamado de tempo geológico, foi dividido pelos cientistas, para fins de estudo e de entendimento da evolução da Terra, em intervalos menores, chamados unidades cronoestratigráficas: éons, eras, períodos, épocas e idades.
A palavra éon significa um intervalo de tempo muito grande, indeterminado. A história da terra está dividida em quatro éons: Hadeano, Arqueano, Proterozóico e Fanerozóico.
Com exceção do Hadeano, todos os éons são divididos em eras. Uma era geológica é caracterizada pelo modo como os continentes e os oceanos se distribuíam e como os seres vivos nela se encontravam.
O período, uma divisão da era, é a unidade fundamental na escala do tempo geológico. Somente as eras do éon Arqueano não são divididas em períodos.
A época é um intervalo menor dentro de um período. Somente os períodos das eras do éon Proterozóico não são divididos em épocas.
A idade, por fim, é a menor divisão do tempo geológico. Ela tem duração máxima de 6 milhões de anos, podendo ter menos de 1 milhão. Somente as épocas mais recentes são divididas em idades.
A essas unidades cronoestratigráficas correspondem unidades cronogeológicas, chamadas, respectivamente, eontema, era, sistema, série e andar.
O quadro acima mostra as três maiores divisões do tempo geológico, os éons, eras e períodos. O que aconteceu de mais importante em cada uma dessas fases da história do nosso planeta é o que se verá logo após.
É importante lembrar que os limites que marcam início e fim de períodos geológicos são aproximados e há algumas divergências entre os autores sobre essas cifras.
NOTA:
Vale muito a pena visitar esse site pois mostra com riquesa de detalhes o trabalho dos pesquisadores brasileiros no campo da geologia e da paleontologia.