ESTUDO DE AFLORAMENTOS ROCHOSOS
O estudo compreende as rochas formadas a diferentes profundidades e
sob condições de temperatura e pressão mais elevadas do que as condições
da superfície, a exemplo das rochas ígneas plutônicas e das rochas metamórficas. Estas podem sofrer soerguimento e a orar à superfície. Desta forma,
o estudo destas rochas revela as condições físico-químicas do interior da
Terra.
ESTUDO DO MATERIAL DA LITOSFERA
As erupções vulcânicas podem incorporar e trazer à superfície fragmentos inalterados de rochas provenientes das partes mais profundas da
litosfera. A análise deste material mostra que as rochas nesta profundidade
contêm sílica, porém em menor proporção do que as rochas presentes na
superfície terrestre.
ANÁLISE DE DADOS DE MINAS
E SONDAGENS
Estas atividades permitem atingir e trazer à superfície materiais do
interior da Terra. No entanto, a sondagem mais profunda realizada na
província de Kola (Rússia) atingiu apenas cerca de 12 km de profundidade. Se compararmos este valor com o raio da Terra (cerca de 6.370 km),
verificamos que apenas 0,19% do interior da Terra foi atingido.
Além da
obtenção de amostras das sondagens (através de perfurações) para a análise, os cientistas
podem utilizar o buraco da sondagem para inserir e baixar instrumentos
para testar as propriedades elétricas das várias camadas; introduzir um
gerador sônico para produzir fontes sonoras (semelhante ao princípio da
sísmica de refração, como será visto a seguir); baixar sensores para registrar diferenças entre as radioatividades naturais das camadas etc. Ao introduzir,
porém, instrumentos no furo da sondagem, passa a ser um método indireto.
MÉTODOS INDIRETOS
Você acha que apenas as informações diretas são suficientes para dizer
algo a respeito do interior da Terra? Claro que não! É necessário, então,
lançar mão de outros métodos, os métodos indiretos.
Os métodos indiretos
baseiam-se na interpretação de dados de meteoritos, ondas sísmicas, estudos
gravimétricos e magnetismo terrestre.
METEORITOS
Através da análise química dos meteoritos, é possível se fazer uma inferência a respeito da composição química da Terra, uma vez que o Sistema
Solar e a própria galáxia (Via Láctea) têm a mesma origem. Acredita-se
que os corpos celestes pequenos que orbitam em torno do Sol (meteoros)
fazem parte de pedaços de pequenos corpos planetários (planetesimais),
cuja origem está associada aos gases quentes das nebulosas que formaram
as estrelas e os planetas. Eles são, algumas vezes, atraídos pelo campo
gravitacional terrestre e, quando conseguem ultrapassar o calor e o atrito
destrutivos da atmosfera terrestre, caem na Terra e passam a ser denominados de meteoritos.
Os meteoritos são classi cados em dois principais grupos:
1. sideritos (ou meteoritos metálicos ou de ferro): são compostos por uma
liga de ferro e níquel (90%Fe,10%Ni). Corresponderiam aos restos das
substâncias que formaram o núcleo da Terra.
2. assideritos (aerólitos ou meteoritos rochosos): apresentam principalmente silicatos com centro (condritos) ou sem centro (acondritos) com
quantidade variável de ferro metálico. Constituem os representantes do
material do manto.
Desta forma, os meteoritos fornecem informações importantes sobre
a origem, idade e composição interna dos planetas – principalmente Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
ONDAS SÍSMICAS
A Sismologia pode ser definida como o estudo das ondas sísmicas (ondas elásticas ou mecânicas), naturais (terremotos) ou artificiais (explosões controladas), em sua propagação no interior da Terra, passando por refrações, reflexões e mudanças de velocidade, segundo as características do meio atravessado, principalmente a densidade dos diferentes estratos e os parâmetros que definem a compressibilidade e a rigidez dos materiais percorridos pelas ondas, além, obviamente, de seu estado físico.
As ondas elásticas promovem uma deformação e, logo depois, o restabelecimento da morfologia inicial (quando não há ruptura). Assim, quanto maior o módulo elástico do material, mais rápido será o restabelecimento da forma e maior a velocidade de propagação da onda.
A direção de propagação das ondas sísmicas muda em função das características do meio: ao passar para um meio de maior velocidade, a onda se afasta da normal para a interface; ao passar para um meio de menor velocidade, a onda se aproxima desta normal. (
Toledo, s/d).
As principais inferências sobre as porções mais profundas do planeta
só podem ser obtidas através da Sismologia, ciência que estuda as ondas
sísmicas produzidas por terremotos.
Os terremotos geram onda, que se propagam através da terra. Estas
ondas podem ser classificadas em ondas de superfície e ondas de corpo.
As primeiras propagam-se próximas à superfície e causam danos no meio ambiente e nas edificações devido à grande energia liberada na superfície. As
ondas de corpo, importantes para o estudo do interior da Terra, propagam-se em direção ao interior da Terra e podem ser de dois tipos:
1. Onda P (primária ou longitudinal) - trafega mais rápido pelo interior da
Terra, pois sua movimentação é no mesmo sentido da propagação da onda,
que ocorre por compressões e distensões.
2. Onda S (secundária ou transversal) - movimento da onda é transversal
ao sentido de propagação.
A chegada de ondas geradas pelos terremotos é registrada em diversas
estações sismológicas espalhadas por todos os continentes, inclusive ilhas. A
velocidade de propagação de ondas sonoras, geradas pelos abalos sísmicos
(terremotos), variam ao atravessar o interior da Terra, por causa da variação de sua composição química, de densidade e de fase (sólido, líquido ou
“plástico”). As ondas P são transmitidas em qualquer meio líquido, sólido
ou gasoso, mas a velocidade de propagação é diferente num sólido e num
líquido de igual composição; as ondas S só se propagam em meios sólidos.
Com base na análise da propagação das ondas P e S no interior da
Terra, é possível se chegar a algumas conclusões:
a) a densidade da Terra aumenta com a profundidade;
b) a cerca de 100 metros de profundidade, existe uma diminuição na velocidade das ondas P e S, sugerindo uma mudança de fase do meio. Como
as ondas S não se propagam em meios líquidos, descarta-se a possibilidade
desta zona ser líquida. Acredita-se que esta região, denominada de zona
de baixa velocidade, apresenta um comportamento “plástico”. Esta zona
corresponde à astenosfera.
c) a cerca de 3.000 metros de profundidade, ocorre uma queda brusca na
velocidade das ondas P, enquanto que as ondas S deixam de se propagar.
Acredita-se que esta camada, que corresponde ao núcleo externo, seja
líquida.
d) a cerca de 2.900 km de profundidade ocorre um aumento na velocidade
das ondas P. Inicia-se, então, o núcleo externo que é sólido.(
cesad s/d)
ESTUDOS DA GRAVIDADE TERRESTRE
O estudo da gravidade terrestre fornece informações das dimensões,
forma e massa da Terra, assim como esta se distribui no interior do planeta. Além disto, como veremos a seguir, várias inferências importantes
do comportamento físico das porções mais externas do planeta (litosfera e
astenosfera) são obtidas através dos estudos da gravidade terrestre.
O raio médio da Terra é de cerca de 6.370 km, e o valor da massa é de
aproximadamente 5,327 g. Com esses valores, calcula-se a densidade média
que é de cerca de 5,5 g/cm3. Este valor é mais elevado do que a densidade
das rochas na superfície terrestre, que varia de 2,5 a 3,0 g/cm3. Isto significa que o interior da Terra deve ter densidade bem maior. As causas da elevada densidade do interior da Terra devem-se às mudanças de estado físico decorrentes das elevadas pressões, mudança na composição química
com a presença de materiais mais densos ou uma combinação dos dois.
Por outro lado, inferências a respeito do comportamento físico da litosfera
e astenosfera também puderam ser realizadas através do estudo da gravidade
terrestre. A atuação da gravidade na litosfera e astenosfera faz com que porções menos densas, a exemplo dos continentes (composição granítica), quem
mais elevadas do que as rochas mais densas do assoalho oceânico (composição
basáltica). Da mesma forma, a carga sobre a superfície da Terra (gelo glacial,
sedimentos em deltas de rios etc.) pode causar um afundamento daquela região.
Para entender melhor o conceito de isostasia, você pode imaginar um
isopor flutuando na água. Se você colocar uma moeda, o que acontecerá?
O peso da moeda causará um afundamento do isopor. E se você retirar esta
moeda? O isopor se elevará. O que acontece na litosfera é muito similar.
Um exemplo clássico é o degelo das geleiras iniciado há cerca de 10.000
anos na Escandinávia. Este fato causou uma diminuição no peso sobre o continente, fazendo com que este se elevasse a uma taxa de cerca de 1cm/
ano. Em compensação, os países baixos estão afundando.
É por isso que as rochas metamórficas ou as rochas ígneas plutônicas
formadas em níveis crustais mais profundos, onde a T e a P são elevadas,
podem ser estudadas na superfície da Terra.
O intemperismo e erosão causam a diminuição do peso das rochas,
causando o soerguimento da litosfera, fazendo com que as rochas que
estavam em profundidade a orem à superfície.
A litosfera responde à força da gravidade à medida que tenta manter
um balanço gravitacional denominado de isostasia. É por isso que o peso
causa um afundamento da litosfera (subsidência), e a retirada do peso
causa um levantamento da litosfera (soerguimento).(
cesad s/d)
MAGNETISMO TERRESTRE
O campo magnético terrestre possui três componentes principais:
campo interno (ou principal), campo externo (ou secundário) e campo local (ou crustal). O campo interno é responsável por praticamente 95% do
campo magnético terrestre medido e se comporta como um imenso ímã,
centrado no interior da Terra, com deslocamento de cerca de 11° em relação
ao eixo polar, onde uma agulha imantada tende a se orientar na direção do
norte magnético, diferente do norte geográfico. Esse campo varia ao longo
do tempo geológico, em escala de milhões de anos, aumentando e diminuindo sua intensidade. Quando se aproxima de zero, por ser uma grandeza
vetorial, ocorre a inversão do polo norte magnético com o sul. (
cesad s/d)
Por outro lado, o campo externo tem origem na ionosfera, camada
mais externa da atmosfera terrestre, caracterizada por íons e partículas livres
eletricamente condutoras. Segundo a lei da Indução de Faraday (1831), toda
corrente elétrica gera um campo magnético e vice-versa. Desta forma, as
correntes geradas na ionosfera colaboram para a constituição do campo
magnético terrestre.
As rochas na superfície da Terra, ao se formarem, registram as informações do campo magnético terrestre. Isto ocorre em função
da presença de minerais magnéticos, tais como a magnetita (Fe3O4) e a
hematita (Fe2O3) que constitui o campo local.
Estrutura interna da Terra. Neste esboço, podemos observar a desproporção das espessuras entre a crosta e as demais camadas (manto e núcleo). Fonte: Teixeira et al., 2000.
A Terra é constituída por variadas camadas concêntricas e de composição diferenciadas (Figura acima). Entre 20 e 40 km, existe uma descontinuidade sísmica, denominada Mohorovicic (Moho); este ponto foi delimitado como sendo o limite entre a crosta terrestre e o manto superior. Partindo daí, a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade, começa o manto. Nesta profundidade, ocorre a descontinuidade de Wiechert-Gutenberg, que marca a transição entre o manto e o núcleo. O núcleo é dividido em duas partes: núcleo exterior líquido e núcleo interior sólido.
Crosta
Crosta, também chamada de litosfera, é a parte mais externa
da Terra, formada por rochas (agregados naturais de minerais)
magmáticas, sedimentares e metamórficas. Sua espessura varia
de 5m 10 km sob os oceanos e 30 - 80 km, nos continentes. Nas regiões
continentais, existe a zona superior, chamada de SiAl (predomínio de
rochas ricas em silício e alumínio) e a zona inferior, com predomínio
de silicatos de magnésio e ferro (daí o nome Sima). É na crosta externa
que ocorre a maioria dos fenômenos geológicos, e, na crosta interna,
ocorrem as atividades magmáticas e tectônicas. A crosta oceânica é
mais fina, mais densa e mais jovem que a continental, formada por
uma camada homogênea de rochas basálticas.
A composição da crosta está relacionada com os tipos de
magma. A crosta continental é formada por um magma ácido,
enquanto que a crosta oceânica é formada por um magma básico.
Na Aula 3, voltaremos a falar sobre este assunto e explicaremos
melhor os diversos tipos de magmas. É a Petrografia, que faz o
estudo sistemático dos três grandes grupos de rochas, que será o
tema da Aula 3. Só vamos adiantar que o estudo da constituição
química da crosta é feito a partir da análise da composição e do
volume das diferentes rochas. Na Tabela 1.1, são apresentados
os principais compostos químicos que compõem a crosta terrestre.
Veja que a sílica e a alumina são os compostos mais abundantes.
Manto
Manto é a camada localizada diretamente abaixo da crosta,
formada por uma mistura de metal e silicatos de ferro e magnésio. Foi
o estudo dos meteoritos que permitiu a determinação dos elementos
químicos existentes no interior do planeta. Está dividido em manto
superior e manto inferior.
O manto superior, formado por rochas no estado de fusão,
é fluido, constituindo o magma basáltico que alimenta as erupções
vulcânicas. Vai da zona de descontinuidade Moho até os 650 km
de profundidade. Esta descontinuidade, sob a crosta oceânica está a
uma profundidade média de 5 a 10 km e, sob a crosta continental, a
profundidades que vão de 30 km, em regiões cratônicas, podendo, ir de 80 a 100 km sob as cordilheiras. Já o manto inferior é sólido,
vai de 650 km de profundidade até o limite externo do núcleo.
Núcleo
Núcleo é a parte mais interna da Terra, corresponde,
aproximadamente, a 1/3 da massa da Terra e contém principalmente
elementos metálicos, como ferro e níquel (98%). Sua composição foi
estabelecida comparando-se experimentos laboratoriais com dados
sismológicos. A cerca de 5.100 km de profundidade, o núcleo
apresenta a descontinuidade de Lehmann, que separa o núcleo exterior
fluido do núcleo interior sólido. Mesmo com a elevada temperatura,
o núcleo interior mantém-se sólido devido à alta pressão a que está
submetido. Alguns estudos apontam que é esta camada líquida do
núcleo que dá origem ao campo magnético da Terra.
O campo eletromagnético da Terra tem sua origem atrelada às
correntes do líquido no núcleo exterior ao interior. O ferro e o níquel,
no estado de fusão no núcleo exterior, através dos movimentos do
fluido, acabam gerando uma corrente elétrica. A eletricidade cria
um campo magnético que se estende em direção ao espaço.
Esse campo eletromagnético estende-se a até cerca de
60.000 km e protege a Terra das explosões solares, porque desvia
as tempestades do nosso Sol. Assim, além de evitar a destruição da
camada de ozônio, impede a passagem de grandes quantidades da
radiação ultravioleta.
Entretanto, cientistas têm detectado a perda de força do
campo eletromagnético da Terra, o que poderá deixar o planeta
mais vulnerável ao aumento da radiação ultravioleta.
Com relação à temperatura interna do planeta, sabese, através de túneis e sondagens, que a temperatura aumenta
progressivamente para o interior (Figura 1.8). A temperatura da
superfície do planeta depende do calor recebido do Sol, mas sem
o calor interno não teríamos condições de sobreviver. O calor na
parte interna não é uniforme e depende da condutibilidade das
rochas. Preste atenção: em locais com rochas pouco condutoras de calor, a temperatura aumenta; enquanto em locais com rochas boas
condutoras de calor, a temperatura aumenta menos.
O gradiente (ou grau) geotérmico corresponde ao número
de metros em profundidade para que a temperatura eleve-se 1ºC.
Esse valor não é constante, mas, geralmente, fica em torno dos
30 metros. Grande parte do calor do interior da Terra provém
dos materiais radioativos existentes. Por exemplo, todas as
rochas possuem material radioativo, como o urânio e o tório, que
vão sendo transformados em chumbo e hélio. Esse processo de
transmutação natural libera energia em forma de calor.
Não é possível dizer com precisão qual é a temperatura interna
da Terra, mas, através da Sismologia, as pesquisas têm avançado.
Geralmente, a temperatura eleva-se menos nas regiões geológicas
mais antigas (escudos cristalinos), que não sofrem perturbações
tectônicas recentes (Figura 1.9). Nas zonas geológicas mais novas
(recentes), sujeitas a perturbações geológicas, o magma atinge níveis
superiores na litosfera, o que ocasiona o aumento mais rápido da
temperatura. (
Silva e Vaz, 2013)