quarta-feira, 31 de maio de 2017

FILO PORÍFERA (PORÍFEROS OU ESPONGIÁRIOS)

FILO PORIFERA 
PORÍFEROS OU ESPONGIÁRIOS

Os poríferos, também chamados de espongiários, são animais aquáticos, encontrados tanto em ambientes marinhos quanto de água doce. São organismos conhecidos e utilizados desde a antiguidade, foram incluídas ja no primeiro tratado de classificação de organismos, escrito em 350 a. C. por Aristoteles. Considerados inicialmente como plantas devido ao seu habito séssil e assimetria de muitos de seus representantes, sua natureza animal só foi reconhecida no final do século XVIII em 1765 quando se observou a corrente de água em seu corpo. Durante grande parte do século XIX Porífera e Cnidaria eram colocados juntos no táxon Radiata ou em Coelenterata. Foi o naturalista inglês R.E. Grant quem primeiro compreendeu a anatomia e fisiologia das esponjas e criou o nome Porífera, que significa “portador de poros".
São organismos sésseis, por não possuírem estruturas locomotoras, serem pouco móveis (apenas a larva é livre natante) e viverem fixos ao fundo marinho ou a rochas em rios e lagos, solitários ou em colônias; alguns podem fazer parte de recifes. O tamanho, forma e coloração variam bastante, de acordo com a espécie, fatores ambientais e associações com algas unicelulares e bactérias fotossintetizantes.
Apresentam corpo muito simples, sem tecidos diferenciados. 
Apresentam poros por toda extensão (superfície) corporal, também chamados de óstios, formados por células denominadas porócitos; estruturas que facilitam a comunicação, dos coanócitos (células que promovem o fluxo de água e a captura do alimento), e o átrio ou espongiocele. É pelos porócitos e óstios que a água entra no interior do animal – mais especificamente na espongiocele,ou átrio. 
O ósculo, na porção superior, é a maior abertura do corpo das esponjas e por onde a água sai, eliminando excretas e outros resíduos, inclusive gás carbônico. Por isso as esponjas são consideradas animais filtradores.
Externamente as esponjas são revestidas com células especiais os pinacócitos, células achatadas e unidas que revestem e protegem. 
Internamente, são os coanócitos: células ovoides, dotadas de flagelos e colarinho (coana), responsáveis pela circulação da água no corpo da esponja. Os coanócitos são células responsáveis pela captura de partículas alimentares, digestão intracelular (que ocorre  no citoplasma), e a transferência dos nutrientes para os amebócitos, que são células localizadas no mesohilo ou mesênquima. Os amebócitos são responsáveis pelo transporte dos nutrientes para as demais células do corpo da esponja.
No mesohilo encontramos também, células encarregadas da regeneração celular e reprodução  os arqueócitos e células responsáveis pela secreção de estruturas de sustentação esquelética os escleroblastos que produzem as espículas, que são estruturas formadas de carbonato de cálcio ou sílica, ou fibras proteicas, principalmente a espongina. 
As esponjas podem ser monoicos ou dioicos. Reproduzem-se assexuadamente por brotamento, fragmentação e, ainda, por gemulação, no caso das esponjas de água doce. 
Na reprodução sexuada os arqueócitos e coanócitos se modificam em óvulos e espermatozoides, que são liberados para o ambiente externo pelo ósculo e para dentro de outras esponjas, por meio das correntes de água.


Diferentes morfotipos de esponjas (asconoide, leuconoides e siconoides) e células coanócitos e amebócitos. 


ANATOMIA DE UMA ESPONJA
Saturnospongilla carvalhoi
A) Espécime sobre pequeno graveto; 
B, C, D) Gêmulas discóides em detalhe 
(Foto U.S. Pinheiro)

Microscopia eletrônica de varredura de Saturnospongilla carvalhoi.
A) Megasclera; B-F) Gemoscleras; G, H) Gêmulas discóides
(Foto U.S. Pinheiro)

Microscopia eletrônica de varredura de Ephydatia sp. 
A, B) Megascleras; C) Gemoscleras; D,E,F) Gêmula 
(Foto U.S. Pinheiro)

Gêmula. Esquema mostrando uma gêmula de uma esponja de água doce.
Pode-se ver a micrópila, as espículas anfidiscos, as fibras de espongina entre as espículas e os arqueócitos que preenchem todo o espaço interno da gêmula. As gêmulas são resistentes a dessecação (ressecamento), congelamento, e anoxia (falta de oxigênio) e podem permanecer nesse ambiente por grandes períodos de tempo. Gêmulas são similares ao endósporo bacteriano (produzido para resistir a situações desfavoráveis). As espículas são constituidas de amebócitos circundados por uma camada de espículas e pode sobreviver a condições que matariam a esponja adulta. quando o ambiente tornar-se menos hostil a gêmula regenera todo o individuo. 


Na figura acima são apresentados o eixo basal-apical e o polo anterior e posterior de algumas esponjas. (Eixo apical-basal e polo anterior-posterior das larvas e adultos de algumas espécies de esponjas). (a) MEV da larva de  Clathriina reticulata (Calcinea) larva. (b) MEV da larva de  Halisarca dujardini. (c) Microscopia ótica de Esperiopsis koltuni parenchymella. (d) Polymastia artica do Mar Branco (White Sea). (Courtesy of M. Fedjuk). (e) Sycon sp. White Sea (Courtesia of M. Fedjuk). (f) Haliclona aquaeductus from White Sea (Courtesy of M. Fedjuk). As flechas indicam a  posterior–anterior (a–c) e o eixo basal–apical (d–f). ap: polo anterior, pp: polo posterior, o: ósculo.


ESPÍCULAS DE ESPONJAS 




ESPONJA MARINHA 
LARVA DE UMA ESPONJA 
(Imagens: Google images)


Reino Metazoa
Sub reino Parazoa
Filo Poriphera
(Poríferos, esponjas)



Diferentes aspectos da organização das esponjas, desde seu mutualismo com bactérias e algas, seu estágio anfiblástula, a forma de seus ancestrais hipotéticos e organização dos tipos Asconóide, Leuconóide e Siconóide, são apresentados. 



Exercícios

1) (10ÖFaça um  esquema do corpo de uma esponja em seu caderno e coloque os nomes nas estruturas constituintes e dê a função de cada uma dessas estruturas.

2) (2ÖDescreva a digestão nesses organismos. (Faça um esquema em seu caderno da digestão intracelular nesses organismos e explique todo o processo).

3) (2ÖCite a apomorfia desses animais e faça um esquema da mesma e dê os nomes das estruturas.

4) (4ÖQue características ancestrais os organismos do subreino PARAZOA compartilham com os EUMETAZOA?

5) (5ÖConstrua um cladograma dos Metazoários e coloque as apomorfias relativo a cada ramo (clado) existente.

6)(4Ö) Leia o texto abaixo: "Espongiose" de Ulisses dos Santos Pinheiro (2008), extraído de um importante trabalho sobre esponjas publicado na Revista Eletrônica do Museu Nacional e USP Ciências e responda as seguintes questões:

a) O que tem nas esponjas que pode causar irritações nos tecidos humanos?
b) Após ler o texto, pesquise para que serve a sílica atualmente para nós humanos.
c) Como é chamada a doença causada pelas esponjas

7) (4Ö) O tamanho e a forma das esponjas variam muito, entretanto, o fluxo de água no interior das espojas sempre segue o seguinte sentido: poros  átrio ósculo.
Baseando-se nas informações acima, no esquema e no seu conhecimento sobre o modo de vida dos poríferos, explique a importância ecológica das esponjas para a saúde dos ambientes aquáticos, indicando o tipo  mais eficiente, justificando a indicação.

8) (3Ö) Uma esponja é capaz de movimentar um volume de água considerável. Estudos mostram que algumas esponjas grandes (2m3 de volume e um poro com 50 micrômetros de diâmetro) podem bombear seu próprio volume em água a cada 20 segundos. Sendo assim, que volume de água essa esponja bombeará em 1minuto?

9) (5Ö) Descreva através de um esquema o desenvolvimento embrionário dos metazoários, salientando sua apomorfia. 

Espongiose

Ulisses dos Santos Pinheiro (2008) - Departamento de Zoologia – CCB/UFPE

Espongiose se refere a acidentes com esponjas que normalmente causam inflamações no tegumento atingido. Um dos indícios da espongiose é a coceira, além de forte reação alérgica, a qual pode requerer cuidados médicos urgentes. Isto normalmente ocorre por que as esponjas, ao morrerem, têm seu colágeno completamente decomposto, liberando para o ambiente todo seu esqueleto silicoso que é composto por espículas. Estas espículas penetram no tegumento causando as inflamações. Segundo Machado (1947), os Carajás (uma das tribos indígenas amazônicas) usavam espículas de esponjas de água doce para fabricar cerâmica. Esse autor descreve que “os indígenas pulverizam espongiários, calcinados previamente ou não, e adicionam à argila com que fabricam peças de sua cerâmica”. As mãos das oleiras indígenas que trabalhavam com cauxí (argila mista com espículas de esponjas) possuíam dermatite purulenta. Hilbert (1955) chama a atenção para a preferência dos caboclos pelo caripé (argila mista com cinzas de tecidos vegetais pertencentes a licania, uma rosácea) ao invés do cauxí. Os motivos por essa escolha estavam relacionados com os inchamentos das mãos causadas pelo cauxí e, ainda, porque os utensílios de cozinha fabricados com esse material causavam desarranjos estomacais.
Um dos casos de espongiose mais recente foi o surto de dermatites e cegueiras ocorrido em Araguatins (Tocantins). Sua população ao entrar em contato com a água do rio da região sofriam de vários casos de dermatite e cegueiras. O fato curioso é que estes acidentes só ocorriam na época de águas baixas, não ocorrendo sintomas na época da cheia. Após uma ampla investigação científica, Volkmer-Ribeiro et al. (2006) concluíram que tais lesões eram causadas por duas espécies de esponjas Drulia uruguayensis e Drulia ctenosclera, que ao morrerem liberam na coluna d’água muitas espículas, sendo a gemosclera o principal agente causador de acidentes oculares e dermatites. No caso de Araguantins tal acumulo de espículas foi conseqüência de alterações antrópicas que geraram o desequilíbrio no meio.
Outra espécie de esponjas de água doce que já foram registrados acidentes é a Sterrastrolepis brasilinesis, uma esponjas endêmica da Bacia do Paraná, conhecida popularmente como “espinho de pedra”. Esta espécie possui projeções cônicas que ficam aderidas fortemente ao substrato rochoso e por serem extremamente duras, ao inadvertidamente pisar nestas esponjas, os banhistas acabam perfurando os pés.


Bibliografia 

BARNES, R. Invertebrate Zoology (modificado)

CAMPBELL; N. RICE, J.B. e cols. 2010. Biologia. Porto Alegre, Artmed Ed. S.A.

ERESKOVSKY, Alexander V. The Comparative Embryology of Sponges
Dordrecht; St. Pertersburg Univ. Press; Springer Science, 2010.

ESPONJAS BRASILEIRAS DE ÁGUA DOCE 

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